Vem muito hino sertanejo por aí com ‘As Aventuras de José & Durval’, série original do Globoplay inspirada na história de Chitãozinho & Xororó

Protagonizada pelos irmãos Rodrigo e Felipe Simas, produção dramatúrgica estreia em 18 de agosto

Você pode até pensar que não conhece José e Durval, mas os paranaenses de Astorga fazem muito mais parte da sua vida do que imagina. Seja nas cantorias em karaokês, nas festas de família, embalando novelas e séries, entre amigos ou nas rádios e programas de TV, os irmãos são presença garantida com suas canções, embalando e transformando momentos de diferentes gerações em inesquecíveis. Donos de uma carreira com mais de 50 anos de sucesso, cheia de hits icônicos que unem o país, Chitãozinho & Xororó são a trilha sonora de muitas histórias. E a partir de 18 de agosto, pela primeira vez, é o público que vai poder mergulhar nas suas com ‘As Aventuras de José & Durval’, série Original Globoplay.



A produção dramatúrgica percorre a trajetória da dupla desde a infância, quando as vidas de José e Durval já se entrelaçavam com a música, até a consagração nos palcos. Lotada de singles e referências dos artistas que foram fundamentais para levar a música sertaneja para o Brasil e para o mundo, contribuindo para revolucioná-la e popularizá-la, a obra tem oito episódios de 45 minutos: os três primeiros chegam à plataforma na data de estreia e os outros cinco serão disponibilizados um a cada semana até o dia 22 de setembro.



Mesclando fatos reais com situações fictícias, a trama começa em 1968, com os protagonistas ainda crianças no interior do Paraná, e passa pelas décadas de 70, 80 e 90, mostrando o convívio dos irmãos com a família, o início da paixão pela música, as descobertas ao embarcarem em turnês e como enfrentaram as dificuldades do dia a dia para ajudar a família e perseguir seus sonhos, muitas vezes desafiando todos ao redor. Tudo isso com pitadas de emoção, diversão, persistência e uma trilha para lá de especial, que promete fazer todo mundo cantar e dançar.

Irmãos na vida real e em cena, Rodrigo e Felipe Simas têm a missão de interpretar os homenageados na fase adulta e celebram a parceria. “Pela primeira vez conseguimos nos reconhecer e vivenciar a arte do outro em ação. Representa muito o fato de sermos irmãos, é algo muito significativo em nossas vidas pessoal e profissional. Quando entramos na sala de preparação, já chegamos com 50% estabelecido. Nossa relação, tudo o que vivemos, desde pequenos, não deixa de ter nos ajudado para a série”, ressalta Rodrigo. “O legal é que conhecíamos o Chitãozinho & Xororó, mas desconhecíamos o José e o Durval. Assim como a maioria do público, que agora começa a reconhecer Chitãozinho & Xororó como José e Durval”, reflete Felipe. Nos três primeiros episódios, período em que a série relembra a infância dos músicos, os estreantes Pedro Tirolli e Pedro Lucas dão vida aos protagonistas.



Diretor geral da série, Hugo Prata conta que a equipe de roteiristas, comandada por Rafael Lessa, se encarregou de esculpir uma narrativa envolvente dramaticamente, baseada na história real dos cantores: “Foi um imenso desafio trazer para o grande público a história desses artistas gigantes, que todo mundo conhece, mas pouca gente sabe qual e como foi a longa trajetória pessoal. Apresentar como construíram uma carreira tão sólida não é simples, não é fácil. Tínhamos esse compromisso de ilustrar a luta, a inquietação, a ambição e a qualidade musical deles, e, ao mesmo tempo, com um enredo divertido. Sem trair a essência da dupla, fomos criando enredos que cruzavam com a trajetória deles e eram leais aos seus valores e às suas canções”. Rafael revela ainda que “o que o público vai ver na tela aconteceu, mas não necessariamente no exato dia ou local em que aconteceu. Alguns personagens misturam duas ou três pessoas que passaram pela vida dos artistas, ou às vezes são inspirados em alguém que cruzou a trajetória deles”, e completa: “O importante é que a alma e a emoção dos personagens levam para a tela o que a música e a história da dupla realmente significam”.

Personagens reais da trajetória da dupla também são representados na série, como seus pais Araci e Mário, atuação de Andréia Horta e Marco Ricca. Já as atrizes Duda Galvão e Ana Herman dão vida, em diferentes fases, a Rosária, uma das irmãs de José e Durval. Noely Lima também é destaque na produção ao ser interpretada por Màrjorie Gêrardi, enquanto Larissa Ferrara é Adenair, a primeira esposa de Chitãozinho/José. Outras duas figuras emblemáticas dessas mais de cinco décadas de estrada de Chitãozinho & Xororó que não ficam de fora da trama são Geraldo Meirelles (Augusto Madeira), um dos principais incentivadores da dupla, e Homero Béttio (Thiago Brianti), amigo e empresário dos irmãos.



Original Globoplay em parceria com TV Globo e produção da O2 Filmes, ‘As Aventuras de José & Durval’ tem produção de Andrea Barata Ribeiro e Bel Berlinck, direção geral de Hugo Prata e direção de episódios de Hugo Prata e Kitty Bertazzi. Os roteiros são de Duda de Almeida, Dan Rosseto, Diogo Leite e Rafael Lessa, que assina como roteirista-chefe.



A herança musical que vem de berço

Carisma puro dentro e fora dos palcos, José e Durval ingressaram cedo no universo musical, respectivamente aos 10 e 8 anos de idade. E tiveram a quem puxar o dom: dos pais, os afinados Araci e Mário, interpretados na série por Andréia Horta e Marco Ricca, que soltavam a voz e já haviam formado uma dupla sertaneja no passado. Além de cantar, Mário ainda era compositor.

Ainda pequenos, um irmão prometeu ao outro que todo mundo ia ouvi-los cantar. E é claro que, ao longo da trama, a série mostra a evolução da dupla que virou um fenômeno e conquistou gerações, inclusive com números musicais de seus maiores sucessos, como ‘Galopeira’, ‘Fio de Cabelo’ e ‘Evidências’. Dos ensaios na humilde casa da família às apresentações em quermesses, caravanas, circos e bares ao estouro nos anos 1980 e 90, o caminho foi longo e cheio de percalços.



Quanto à seleção da trilha sonora para ‘As Aventuras de José & Durval’, diante das inúmeras músicas marcantes da dupla, o diretor Hugo Prata reforça que foi essencial um estudo minucioso da discografia para elencar quais seriam os pilares de cada episódio, elegendo uma canção como o grande tema da vez. “Uma música específica daquele ano, daquele momento, daquela fase da vida deles. O lema era costurar as canções no enredo sem que elas interrompessem a narrativa como um intervalo musical, mas levassem sempre a história para frente”, explica. Prata ainda comemora: “Lutamos para ser leal à história, aos valores e às qualidades deles. Foi o que nos esforçamos para entregar ao Brasil com o maior respeito e admiração que temos pelo trabalho de Chitãozinho & Xororó”.

Cenário, figurino e caracterização refletem nostalgia

Realizadas em 2022, as gravações da produção remetem ao passado de Chitãozinho & Xororó desde as locações no interior de São Paulo, nas cidades de Amparo, Jaguariúna, Santo Antônio de Posse, São Bento do Sapucaí e Carlos Gomes (bairro da cidade de Campinas). As fases, divididas entre infância e vida adulta da dupla, também proporcionam um clima saudosista. Para diferenciá-las visualmente, o diretor de fotografia Rodrigo Carvalho e o diretor de arte Frederico Pinto estabeleceram que o período deles como crianças seria apresentado em um tom mais terroso, com um ar nostálgico associado à terra, ao campo e ao western. Um mundo sem luz elétrica, mais remoto, onde o próprio uso de luz de velas enfatiza naturalmente essa característica e cria uma fotografia mais monocromática, que ganha cor conforme os protagonistas crescem e vão se afastando desse universo, rumo à cidade grande.



A passagem de tempo também pode ser observada no vestuário e, para a figurinista Verônica Julian, esse foi o maior desafio da produção. “A série começa em 1968 e vai até 1990. Tivemos o cuidado de reproduzir o figurino pelo olhar do mundo que eles viviam, que era um mundo do interior”. Para além das roupas, os cabelos também são cruciais para definir uma época, principalmente falando de dois artistas que também são icônicos pela cabeleira bem característica. Fotos de referência de Chitãozinho & Xororó foram inspiração para a maquiadora Mary Paiva reproduzir estilos de corte de forma verossímil e que combinassem com os atores Rodrigo e Felipe Simas. Durante a preparação, foi realizada uma decupagem do roteiro bem minuciosa com a equipe de caracterização, seguido de uma pesquisa de imagem em cima dos discos, batendo as datas para traçar uma linha do tempo e entender como os astros foram se transformando.

Frederico ainda analisa que, qualquer trabalho de época, mesmo com diferentes graus de liberdade poética, precisa constituir aquele período: “Se você colocar um carro antigo, imediatamente volta para 40 anos atrás”. Em cena, alguns exemplos são a caminhonete de Mário (Marco Ricca), o ônibus da caravana de Geraldo Meirelles (Augusto Madeira) e o inseparável fusca azul que acompanhava Chitãozinho & Xororó pelo Brasil. “É um elemento que conta muito essa história, ainda mais se for na parte rural, dentro do mato, em um lugar onde não tem muita referência estética que marque um período específico. Os automóveis e os figurinos fazem esse trabalho essencialmente, transportam para aquele lugar. E é a junção desses elementos, carros, figurinos, objetos cênicos, que cria o ambiente passado”, conclui o diretor de arte da série.

Por: Fabiola Barbosa

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